sexta-feira, 5 de setembro de 2008

a polenta no teatro de Goldoni ....

Se pudesse escreveria sobre os livros da Fernanda de Camargo-Moro todos os dias. Como disse aqui, seus livros são repletos de muita história, cultura, curiosidades, receitas .... Em seu livro "Veneza. O encontro do Oriente com o Ocidente", o capítulo sobre a polenta me encantou. Primeiro pelo fato de descobrir que os venezianos foram os primeiros europeus à usar o milho e com sua farinha inventaram a polenta. Segundo pelo fato de que Goldoni faz referência a polenta em uma de suas peças de teatro. Um luxo total ..... até receita ele dá em cena. Foi em "La donna di spirito" que Goldoni descreveu detalhadamente o preparo da polenta.

" .... Rossaura faz sonhar Arlequim falando sobre comida e como fazer uma boa polenta."

Segundo a Fernanda, a polenta é uma comida popular, querida pelos pobres mas também amada pelos ricos. Os mais humildes, compravam a polenta nos campielli e a escondiam ainda quentes nas mangas da camisa. Eram motivo de piada entre os gondoleiros, os quais anunciavam aos quatro cantos: "Excelência, suas mangas estão pegando fogo, pois daqui estou vendo a fumaça!"

A Fernanda também diz que a polenta sustentou a população e tornou-se uma das marcas de seu cotidiano. Foi até retrada por Pietro Longhi em uma de suas obras. Os imigrantes italianos que chegaram ao Brasil, vindos do Veneto foram os responsáveis pela introdução da polenta no país.

Esta é a receita de polenta que Goldoni descreveu em sua peça "La donna di spirito", citada por Fernanda em seu livro "Veneza. O encontro do Oriente com o Ocidente".

"(...) Se encherá uma bela caçarola com água e a colocaremos no fogo. Quando a água começar a murmurar, eu tomarei este belo pó cor de ouro, chamado de farinha amarela, e pouco a pouco o deixarei dissolver na caçarola, na qual tu, Arlequim, com a ajuda de uma vara mágica, tu desenharás círculos e linhas. Quando esta matéria estiver condensada, nós retiraremos do fogo e juntos, com a ajuda de uma grande colher, a faremos vazar sobre um prato. Depois, acompanhado com pequenos gestos da mão, colocaremos por cima um grande pedaço de manteiga fresca, amarela e delicada, depois, além de um queijo amarelo raspado....depois? Depois, Arlequim e Rossaura, um de um lado, o outro do outro, armados cada um de um garfo, tomaremos duas ou três bocadas (porções) desta polenta bem preparada e faremos uma refeição dos imperadores (...) "

12 comentários:

Ana Elisa disse...

Oi, Fabrícia,
É, acho que não tem uma família com descendência veneta (caso da minha) que não tenha histórias envolvendo polenta. É tããããão bom... Principalmente feita do zero, e com polenta Bramata. Nham-nham.
Adorei a crítica do livro. Deu-me vontade de lê-lo.

Beijos!

Luciana disse...

Fabi, não tem jeito não consigo gostar de polenta, porém minhas duas boquinhas famintas daqui de casa amam...
Achei lindo o trecho do livro é inspirador.
Bjos, Lú.

Odete disse...

Com mae italiana cresci comendo polenta e adoro. Agora te lendo me transportei ate Veneza e fiquei imaginando a fumaca nas mangas dos caras...deu saudades daquele lugar de beleza unica.
beijos

Simone Izumi disse...

Fá...você é tão.....INTELIGENTE!!!!!!!!!!!!
Fala sério, sempre que entro aqui aprendo uma coisa !
Becs
si

Noémia disse...

Nunca cozinhei polenta, mas descrita assim a sua preparação até que me dá vontade de experimentar!:)

ameixa seca disse...

A descrição da polenta é pura poesia :) Muito lindo!
Bom fim de semana!
Há novas publicações na Academia.

Natural Naturalmente disse...

Querida Fabrícia, que delícia, adorei o post.
Como boa Brazuca com descendencia italiana sempre gostei de polenta, só cozida ou então frita, combina sempre com tudo.
Bom fim de semana.
Márcia

Adriana disse...

Apesar de ser descendente de "polentas",como eu as adoro! Bom fim de semana!

Sabrina Rocha disse...

Realmente vc é muito inteligente. Adoro o seu blog, é visita diária...
Adorei o título do livro, vou procurá-lo aqui no Brasil.

Bjo

laila disse...

um capitulo só para polenta...a q entador...

só pelo trechinho já fiquei com vontade d ele-lo inteirinho!!bjs

Valeria disse...

Que interessante!!Sempre adorei polenta e nunca podia imaginar a profundeza de suas origens!!
Bjs

Valentina disse...

Ah, que bacana. le mais...