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segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

os favoritos do momento ....

Quando a Ana Elisa me convidou para eleger três livros de culinária favoritos veio aquela dúvida: "Mas entre tantos, quais seriam?". Resolvi eleger aqueles que não saem da minha cozinha, que estão sempre na minha mesa e que fazem sucesso com o maridoco. Tenho muitos livros de culinária......uma verdadeira mania. Não posso entrar numa livraria que sempre saio com um ou outro debaixo do braço. Eles estão espalhados pela casa toda.....na cozinha, na sala, no quarto.... Costumo deixar os livros do momento no quarto para dar aquela olhadela antes de dormir. Bom, mas vamos aos livros .... O primeiro deles é um livro de desserts, da editora Marabout (adoro). O livro é sempre comentado por aqui ..... é intitulado "gâteaux simplissimes" ... simples e gostoso ..... um dos meus preferidos. O segundo livro é o novo e delicioso livro de um cara que adoro: Ricardo Larrivée. Admiro o Ricardo pois ele é um grande incentivador da agricultura local e dá receitas ótimas. Ganhei o livro do maridoco e estou adorando .... tem até uma capítulo de como receber franceses no inverno quebécois. O terceiro e último livro que escolhi no momento é o "Larrousse - Les légumes du marché." Este livro sempre me dá idéias ótimas ..... No momento estes foram os eleitos..... mas com o tempo e algumas visita à livraria....nunca se sabe. Merci à Ana Elisa pelo convite ..... adorei.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

a polenta no teatro de Goldoni ....

Se pudesse escreveria sobre os livros da Fernanda de Camargo-Moro todos os dias. Como disse aqui, seus livros são repletos de muita história, cultura, curiosidades, receitas .... Em seu livro "Veneza. O encontro do Oriente com o Ocidente", o capítulo sobre a polenta me encantou. Primeiro pelo fato de descobrir que os venezianos foram os primeiros europeus à usar o milho e com sua farinha inventaram a polenta. Segundo pelo fato de que Goldoni faz referência a polenta em uma de suas peças de teatro. Um luxo total ..... até receita ele dá em cena. Foi em "La donna di spirito" que Goldoni descreveu detalhadamente o preparo da polenta.

" .... Rossaura faz sonhar Arlequim falando sobre comida e como fazer uma boa polenta."

Segundo a Fernanda, a polenta é uma comida popular, querida pelos pobres mas também amada pelos ricos. Os mais humildes, compravam a polenta nos campielli e a escondiam ainda quentes nas mangas da camisa. Eram motivo de piada entre os gondoleiros, os quais anunciavam aos quatro cantos: "Excelência, suas mangas estão pegando fogo, pois daqui estou vendo a fumaça!"

A Fernanda também diz que a polenta sustentou a população e tornou-se uma das marcas de seu cotidiano. Foi até retrada por Pietro Longhi em uma de suas obras. Os imigrantes italianos que chegaram ao Brasil, vindos do Veneto foram os responsáveis pela introdução da polenta no país.

Esta é a receita de polenta que Goldoni descreveu em sua peça "La donna di spirito", citada por Fernanda em seu livro "Veneza. O encontro do Oriente com o Ocidente".

"(...) Se encherá uma bela caçarola com água e a colocaremos no fogo. Quando a água começar a murmurar, eu tomarei este belo pó cor de ouro, chamado de farinha amarela, e pouco a pouco o deixarei dissolver na caçarola, na qual tu, Arlequim, com a ajuda de uma vara mágica, tu desenharás círculos e linhas. Quando esta matéria estiver condensada, nós retiraremos do fogo e juntos, com a ajuda de uma grande colher, a faremos vazar sobre um prato. Depois, acompanhado com pequenos gestos da mão, colocaremos por cima um grande pedaço de manteiga fresca, amarela e delicada, depois, além de um queijo amarelo raspado....depois? Depois, Arlequim e Rossaura, um de um lado, o outro do outro, armados cada um de um garfo, tomaremos duas ou três bocadas (porções) desta polenta bem preparada e faremos uma refeição dos imperadores (...) "

terça-feira, 26 de agosto de 2008

uma diva na Academia dos Livros .....

Tudo começou com um convite da querida Cláudia ... a idéia é adorável, encantadora. Adoro ler, acredito que herdei o gosto pela leitura da mamãe, que é formada em Biblioteconomia e sempre nos incentivou muito a ler. A Cláudia juntou pessoas queridas que também dividem este prazer e criou a "Academia dos Livros". A Ameixinha está reunindo todos os posts da Academia aqui. Já escreveram sobre muita coisa interessante...autores que desconhecia, outros que aprecio, outros que li e reli .... muito bom.

Entre Clarice, Machado, Zafón vou falar sobre Fernanda de Camargo-Moro. A Fernanda tem tudo a ver com o Sopa pois fala muito sobre culinária ..... Nao precisamos ler mais do que uma página para se encantar com a Fernanda. Li dois livros da Fernanda e comecei o terceiro ontem. Seus livros sao pura história, cultura, arqueologia, dicas, receitas ..... Me encanta a riqueza dos detalhes, a veracidade dos fatos ..... A Fernanda é carioca, cursou Museologia e História, é autora de diversos livros e tem um currículo admirável. O primeiro livro que li da Fernanda foi a "Ponte da turquesas". Já falei sobre o livro aqui, aqui, aqui , aqui e ele mora no meu criado mudo. O sultão Fatih Mehmet que o diga ......

Atualmente estou lendo "Arqueologias culinárias da Índia" mas vou comentar sobre o último livro da Fernanda que li. O livro é intitulado " Veneza: O encontro do ocidente com o oriente."

A Fernanda conseguiu contar toda a história de Veneza através da culinária. É incrível como ela descreve a construção de Veneza e ao mesmo tempo a evolução e a consagração da culinária local.

O livro foi vencedor do Gourmand World Cook Awards 2003 na categoria história da gastronomia e cozinha italiana. Quando a Fernanda escreveu o livro ela disse que ele contribuiria muito com o movimento slow-food. Tenho ceteza que contribuiu e que continua contribuindo. Sou de origem italiana, veneziana assim como a Fernanda e não foi nada difícil me encantar ainda mais por Veneza. Ela conhece aquela cidade como ninguém....cada cantinho, aroma, sabor ..... o livro é puro encanto, receitas, história .....

Em "Veneza: o encontro do oriente com o ocidente" matei minha curiosidade sobre a origem do risotto, descobri porque o carpaccio se chama carpaccio, tive uma aula sobre a polenta em Veneza, o cardápio das festas tradicionais, bebi muito café, aprendi sobre a influência judaica na culinária veneziana .... viajei da Turquia até Veneza...fui de figos à fígados ..... Pensei em citar muitos trechos que me fascinaram mas quando peguei o livro nas mãos ele abriu bem no trecho em que a Fernanda fala sobre o foie-gras ..... E vamos à provável origem do famoso foie-gras ......

"Oriundo das mesas refinadas dos faraós egípicios, grande sucesso nas mesas romanas, o fígado também foi adotado pela culinária do povo da Laguna, onde até hoje é prato obrigatório. Mas quem teria inventado a engorda dos fígados? Um baixo-relevo egípcio datado da V dinastia mostra que Ti, o chefe dos segredos do faraó em todas a suas casas, era um grande aficionado dos foie-gras. .......... e Ateneu escreveu no século III que gansos gordos tinham sido enviados como presente pelo faraó do Egito ao rei Agesilau de Esparta, em 400 a.C. No Banquete dos sofistas, é citado o foie-gras, e entre as frases admiráveis, uma o define: "Um fígado ou, antes, uma alma de ganso ...." Teria sido uma lembrança do saber dos povo da Mesopotâmia, que consideravam o fígado o lugar onde ficava o sentimento." (Fernanda de Camargo-Moro)

Uma receita com fígado citada por Fernanda....

"fígado aos aromas":

1 peça de fígado, 1 punhdo de folhas de alecrim, sálvia, tomilho e salsa, 1 cebola grande, meio copo de azeite de oliva, meio cálice de vinho branco, 1 punhado de pimentanegra do Malabar moída na hora.

Numa caçarola com água e um punhado de folhas de alecrim, sálvia, tomilho e salsa, colocar um pedaço inteiro de fígado, sem a pele, para cozinhar em fogo brando, durante uma hora. Retire o fígado, deixe esfriar e corte-o em iscas finas. Cubra-as com uma cebolada de fatias finas umidecida com vinagre e vinho, frita no óleo. Salgue e polvilhe com bastante pimenta-negra moída. Deixe num lugar bem fresco para servir no dia seguinte. Como contorno....o fígado pede polenta, e da mais clara!

O livro é muito, muito interessante mesmo......assim como todos os livros da Fernanda de Camargo-Moro que tenho na biblioteca. Quem sabe amanhã não descobrimos algo sobre a polenta .....

segunda-feira, 16 de junho de 2008

no criado mudo....

Já faz um tempinho que acabei de ler "A ponta das turquesas" (aqui) mas até hoje ele está do ladinho da cama. Juntamente com ele li "La mafia se met à table" (aqui)......adorei. Como não sei ficar sem ler terminei "A ponte das turquesas" e me acabei num livro do Mia Couto .....fabuloso. Agora estou devorando "Deve ter sido alguma coisa que eu comi. A volta do homem que comeu de tudo", do Jeffrey Steingarten. O livro é de 2002 .... com muitas experiências, encontros, dicas, casualidades...... Até agora estou gostando muito ....

"....É preciso que eu me atenha às lições fundamentais que devemos tirar de nossa vida como onívoros e de nossas responsabilidades como mamíferos. Em todo o reino da natureza, só os mamíferos, as fêmeas dos mamíferos, alimentam seus filhotes dando-lhes uma parte de seu próprio corpo. Para nós a comida não é somente o jantar. Nossas atitudes com relação à alimentação espelham nossos sentimentos sobre maternidade e nutrição, sobre dar e dividir, sobre tradição e comunidade - e sobre o mundo natural parecer inerentemente benigno e hostil. Algumas pessoas têm uma atitude positiva, outras nem tanto. De que tipo você é? .....

1- "Estou me sentindo péssimo hoje, minha pele está cheia de caroços, e mal consigo enxergar. Deve ter sido alguma coisa que eu comi."

2 - "Estou me sentindo leve como uma pluma hoje, meu pensamento está claro como água e tenho vontade de sorrir para o mundo! Deve ter sido alguma coisa que eu comi." "

(trecho do livro "Deve ter sido alguma coisa que eu comi. A volta do homem que comeu de tudo." , Jeffrey Steingarten. Tradução Luiz Henrique Horta.)

sexta-feira, 2 de maio de 2008

receita escrita à moda antiga .....

Estou quase finalizando o livro "A ponte das turquesas", da Fernanda de Camargo-Moro. Normalmente costumo ser ligeira nas minhas leituras mas com este livro foi diferente. Ele é tão rico em detalhes que sempre que avanço a leitura acabo voltando um pouco. Não quero perder nada. Quando cheguei no capítulo "O gosto dos sultões - receitas antigas" fiquei encantada ao ler uma receita escrita no século XV. A receita é do livro Chirvânî , o qual já comentei aqui. A receita é de harisa ou herise. Não é a mesma harissa tunisiana mas é um prato de origem árabe e significa cozido, fervido e foi adotado pela culinária turca. Quem sabe um dia desses não me arrisco à preparar uma harisa à moda antiga ......
" Que se tome novecentas dragmas de carne gorda, cortada como de costume e colocada numa caçarola, que seja colocada em cima uma quantidade grande de água quente e que deixe cozinhar, retirando a espuma. Quando o cozimento estiver próximo do fim, tira a água e separe a carne dos ossos e dos nervos e da cartilagem. Coloque de novo a carne na caçarola e misture 600 g de farinha de trigo branca, bem batida, limpa, lavada. Misture bem e deixe cozinhar em fogo baixo do entardecer até o terceiro quarto da noite, mexendo por cima com a concha. Querendo juntar galinha, separe-a em pedaços, desosse e junte na caçarola com um pouco de canela. Deixe cozinhar até o meio da noite, quando se tornará um mingau e que não se possa distinguir o trigo das carnes. Se for necessário, vá adicionando água fervendo e mexendo. Deixe a caçarola nas brasas até o amanhecer. Tome então um rabo de carneiro ainda fresco e corte em pequenos pedaços para tirar a gordura, que depois de misturada com cominho tostado e canela, misture bem na harisa quente. " (Chirvânî 1, 62 r.v.)
trecho do livro "A ponte das turquesas", Fernanda de Camargo-Moro.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

la mafia se met a table ......

Fazia tempo que estava à procura deste livro......na semana passada, o maridoco me fez uma bela surpresa e me deu essa maravilha de presente. Mais um mimo.....ahahah....estou ficando mal acostumada. O livro é incrível pois não se trata somente de receitas mas também de muita história. Aborda alguns jantares de mafiosos renomados e temidos na Itália. É incrível como comiam bem e escolhiam com classe seu menus. Uma bela viagem bela gastronomia siciliana, de 1860 até 1972. O livro traz 10 menus, escolhidos cuidadosamente pelos autores do livro. Em breve colocarei em prática algumas das receitas espetaculares que o livro traz.
Para terem uma idéia da maravilha do livro, o primeiro menu minuciosamente relatado, foi o Banquet de Messina, em 1860. Esse banquet foi oferecido à Garibaldi e seus oficiais, pelos seus tios mafiosos.
Comecei a ler hoje e não consigo parar mais........

“Acreditando ter oferecido a Sicília à Victor-Emmanuel, rei de Piémonte, Garibaldi acaba de dar um presente à seus tios da Mafia. Gratos, os chefes da família oferecem ao “Liberador” um banquete que ficou para sempre no seu estômago.” (trecho do livro “La mafia se met a table”, Kermoal, J. e Bartolomei, M.)

O menu do jantar oferecido à Garibaldi e seus oficiais
(tradução livre do livro “La mafia se met a table”)

Presunto defumado de la Conca d’Oro
Espadon “agghiotta”
Merluche à moda de Messina
Poulardes recheadas com trufas à l’étouffée
Pernil de cervo com l’eau-de-vie de pêssego d’Agrigente
Cordeiro assado no azeite extra-viegem
Couve-flor, alcachofra e salsão pochés
Queijo de cabra
Crèmes
Sorvetes
Pièces montées
Pignolata
Maçãs recheadas com açúcar e canela

Livro: “La mafia se met a table”, de Kermoal, J. e Bartolomei, M.

sexta-feira, 28 de março de 2008

a lenda do croissant .....

Eu não sabia mas claro que ele sabia.....o maridoco sabe tudo. Quando li sobre a possível origem do croissant do livro "A ponte das turquesas" fiquei encantada com os detalhes da descrição da Fernanda de Camargo-Moro. Sempre pensei que tivesse sido inventado na França mas caí do cavalinho. Lendo e aprendendo.....isso é bom demais. Aliás à medida que avanço minha leitura neste livro encantador tenho vontade de recomeçar tudo de novo. Segue abaixo o trecho do livro "A ponte das turquesas", de Fernanda de Camargo-Moro sobre o croissant. Já falei aqui e aqui um pouco sobre o livro. Assim vocês podem ter uma idéia da riqueza de detalhes deste livro que tanto me fascina.

"As meias-luas folhadas pouco a pouco se tornaram uma lenda ligada ao café da manhã francês. Poder-se-ia dizer que elas receberam verdadeira cidadania francesa, tal o entusiasmo de franceses e não-franceses ao pedirem de manhã bem cedo um croissant bem quentinho. (...)
Mas por que esse nome? Tem a ver com a forma de Lua Crescente? Terá alguma coisa a ver com mulçumanos?
São duas lendas associadas à sua origem que se prendem ao Império Otomano, à Austria, Hungria e França, a padeiros especializados (...).
Uma delas diz que o croissant foi inventado em 1683, em Viena, capital do Império Austro-Húngaro. Na época, o Império Otomano se expandira pela Ásia Menor, África do Norte e os Bálcãs, chegando até as vizinhanças de Viena, capital da Áustria. Na tentativa de aumentar ainda mais suas possessões na Europa, já que a Grécia e outros países Balcânicos tinham se tornado turcos, eles tentaram se apossar do Império dos Habsburgos, o austro-húngaro, que servia de obstáculo às investidas turcas na Europa, a qual várias vezes haviam tentado invadir sem êxito.
Contam que no cerco de 1683 a Viena, quando os turcos-otomanos escavavam túneis durante a noite sob as muralhas da cidade, os padeiros da cidade, acordados por causa do pão do dia seguinte, deram o alarme e os turcos foram repelidos. Para comemorar a vitória sobre os inimigos graças à sua intervenção, os padeiros fizeram pães folheados com a forma do símbolo turco, o Quarto Crescente, para que os vienenses tivessem a oportunidade de, ao comê-los, destruir o símbolo dos seus inimigos. A mesma lenda é contada envolvendo a invasão de Budapeste, capital Húngara, em 1686.
Mais tarde, Maria Antonieta, a última rainha da França nascida na capital austríaca, Viena, ao se casar com o rei da França, ainda adolescente, trouxe o croissant, que era uma especialidade da sua preferência.
Verdade ou não, o que se sabe é que não existem registros de receitas para fabricar croissants em nenhum livro de culinária francesa antes do século passado. (...)
Há ainda uma outra teoria segundo a qual a criação do croissant passa das mãos dos padeiros austríacos ou húngaros para os turcos, que, desde sua época de nomadismo nas estepes, já faziam a yufka, dela nascendo os folheados."
trecho do livro "A ponte das turquesas" , Fernanda de Camargo-Moro.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Deusa Macária ....

Outro dia desses, lendo o maravilhoso livro “A ponte das turquesas” fiquei surpresa ao descobrir a origem do delicioso macaron. Era um doce servido especialmente em velórios. Sim.....verdade verdadeira. A autora cita que a origem do doce é provavelmente grega e que o nome deriva da deusa da morte Macária. É mole .... cada uma que descobrimos. Um trechinho do livro: “ Eram doces servidos nos rituais benfazejos para aqueles que deixavam os vivos. Da Grécia , passou a Bizâncio, já com um uso mais abrangente, inundando os palácios com sofisticação, de onde seguiram para a Europa ocidental através das repúblicas de Veneza e Gênova. Mais tarde, teria sido importado por Catarina de Médecis.......” (Fernanda de Camargo-Moro).

domingo, 20 de janeiro de 2008

na cabeceira .....

Sempre tive uma verdadeira compulsão por livros. Todos os tipos, títulos, assuntos, cores..... Adoro ler e mergulhar nesse mundo tão fanscinante. Costumo devorar um livro por mês nas minhas incontáveis horas dentro do transporte público. Quando tenho um tempinho comento sobre eles no meu outro cantinho. Nessa minha última passagem pelo Brasil comprei alguns livros que queria, outros que a Bá indicou e dois que me chamaram atenção pelo título. Nem preciso dizer que vim com a mala recheada de muita literatura. Desta vez não comprei diretamente na livraria.....preferi fazer meus pedidos pela internet e economizei cerca de 15 à 20 reais por livro. Uma grande diferença de preço. Ler na minha querida língua materna me faz sentir em casa, mais próxima da terrinha. Tenho muita coisa em francês mas sempre que posso coloco meu livrinho em português debaixo do braço.
Uma das minhas recentes aquisições e atual leitura é um livro da Fernanda de Camargo-Moro, intitulado "A ponte das turquesas". O título me encantou e quando li a descrição me apaixonei. A Fernanda é arqueológa e historiadora......uma mulher com uma bagagem admirável. São 490 páginas de muita história, cultura e mais de 50 receitas típicas da cozinha bizantina e turca. Estou no primeiro capítulo ... aproveitando uma bela aula de história e anciosa para chegar nas receitas milenares. Na minha listinha já estão mais dois livros da Fernanda: "Veneza: o encontro do Oriente com o Ocidente" e também "Arqueologias Culinárias da Índia". Quem sabe numa próxima viagem ao Brasil eles não vêm comigo para cá. Por enquanto estou me deliciando com "A ponte das turquesas". .........

terça-feira, 27 de novembro de 2007

"Devorando" livros .......

Por mais que um livro trate sobre guerra, amor, sofrimento, desespero...comer é preciso e os personagens fazem isto muito bem. Sempre que leio fico com água na boca de pensar nas gostosuras ali citadas. Não foi diferente nos três últimos livros que li....fiquei salivando. Como não desejar experimentar as famosas berinjelas de Fermina Daza, em "O amor nos tempos do cólera". E olha que ela detestava berinjela quando garota. A carne seca, o peixe defumado, a mandioca, a pasta de arroz do nosso querido Ishmael Beah, em "Muito longe de casa: Memórias de um menino-soldado". E olha que não é ficção e ele passou muita fome. Sem falar na kofta, sorvete de água-de-rosas, no picles enrolado no naan, no chá preto que Amir e Hassan saboreiam com prazer em "O caçador de pipas". No livro que estou lendo atualmente, sinto que morrerei de vontade de comer com eles e na primeira página já se fala em culinária: " Tive uma prima solteirona que, quando preparava uma sobremesa, insistia em mostrá-la à todos.....". Espero jantar muitas vezes com Martín Santomé e seus filhos, em "A trégua". Mate (chimarrão) eu já estou tomando bastante. Assim....."ler também é devorar".......nestes últimos meses comi na Colômbia, experimentei em Serra-Leoa, me deliciei no Afeganistão e estou anciosa para descobrir o que vou devorar no Uruguai. De lamber os dedos.....